Eis o resultado das interpelações feitas a alguns dos seus tripulantes e passageiros. As respostas é que não cabem na cabeça de ninguém!

Quinta-feira, 04 de Novembro de 2010

Ontem, passei o dia completamente desorientado. Andava eu perdido no labirinto de corredores quando esbarrei com Zadros, que é o timoneiro da Nave dos Loucos. Saudou-me cordialmente, e eu expliquei-lhe que não conseguia atinar com o caminho. Encarou-me serenamente e disse que bastava que eu seguisse as setas e respeitasse outros sinais, que tinham sido postos em pontos estratégicos, precisamente para as pessoas não se perderem. Esbugalhei os olhos, pois nunca tinha reparado neles. Zadros, ficou admirado com a minha expressão e perguntou-me o que me preocupava. Respondi-lhe com uma pergunta: como posso eu ultrapassar o medo de perder alguém?

 

 

Zadros, o timoneiro, com saudades do mar.

 

Ele disse: Ah, então é isso! Ó homem, não vale a pena preocupares-te porque tu não podes perder, simplesmente porque não podes possuir. Portanto, não possuindo, não podes perder. Se há perda é porque havia posse. Ora, se há vírus capaz de condicionar a paz de espírito, esse é o do sentimento de posse. É como um vento contrário, soprando no Caminho, que dificulta a progressão. Repara: quando tu dependes de uma pessoa estás a fazer dela uma «fornecedora» do que julgas necessitar. Então, quando ela desaparece, porque morreu ou se foi embora, tu passas a sentir-se bastante desamparado devido à quebra no «fornecimento». O mais curioso – e anacrónico - é que nós tornamo-nos dependentes deste e daquele na esperança de nos livrarmos do sentimento de desamparo! Consegues imaginar maior parvoíce? Todos os toxicodependentes, por exemplo, receiam perder o seu fornecedor, porque sabem o que custa a ressaca. Mas há casos em que a ressaca do corpo emocional, devido ao sentimento de perda, pode ser mais violenta do que a da cocaína!

 

Bem, se eu já estava desorientado, mais desorientado fiquei. Despedi-me do Zadros, o timoneiro, sentindo que só queria sair dali. Desandei corredor fora, mas ele interrompeu-me a minha fuga gritando: Não é por aí!

publicado por Gerador de posts às 21:50

De Ana Martins a 7 de Novembro de 2010 às 22:04
De facto parece-me que é a única coisa que não posso perder aquela que não possuo. E será que possuimos alguma coisa? Penso que não. As "coisas" são-nos confiadas ou emprestadas por um período de tempo,uma "season", que até pode ser uma vida, "lifetime", só isso(e chega). O que realmente parece pertencer muito ao ser humano é a ilusão de posse, daí a dor da perda, o tal sentimento de desamparo. Porque não pensarmos que estamos bem onde estamos e com quem estamos; Connosco...É melhor calar-me. Também vou é desandar pelos corredores para ver se encontro o caminho:)


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